
O irmão, papai e mamãe me presentearam com uma girafa. Uma girafa do Mac. Eles ganharam comprando lanches e tendo que comê-los. No dia seguinte papai até vomitou. Mamãe disse que não foi o hamburguer, foi a cerveja. Por sorte, ela instintivamente pensou que poderia contaminar meu leite com aquela comida e só deu umas mordidas numas batatas molhadas num pote de molho que eles chamam Barbecue. O irmão ofereceu uma batata a um cachorro estranho que dormia ao lado de um brinquedo do Mac, o cachorro também não quis comer aquele lanche.
Bom, foi um sacrifício danado eles me darem esta girafa. Eu acho que eles foram seduzidos por um comercial que mostra uns bichos que falam na tevê chamando a gente pra ver o filme Madagascar 2. Esse cinema apoiado na disseminação de imagens e afetos por todos os poros de comunicação é o que papai chama de hegemônico. Eu diria, pelo que ouvi falar em casa, que é viral.
Esse cinema é tão poderoso que me fez morder minha girafa. Felizmente para ela, meus dentinhos ainda se escondem sob as gengivas inchadas da boca. A razão é que se tivesse dentes não só poderia rasgar minha girafa mas também deixar machucadas as tetas de mamãe. No natal ganhei outras girafinhas diferentes. Pode ser que a girafa do Madagascar perda minha preferência e não seja mais a girafa do cinema hegemônico. Viral continuará a ser, já que a deixo toda molhada com minha saliva quando a ponho na boca.
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